Jatobá-PE: TCE aponta indícios de esquema milionário em contrato da Prefeitura de Jatobá com organização do terceiro setor

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Uma auditoria especial do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) revelou indícios de um esquema milionário envolvendo recursos públicos da saúde em Jatobá. O relatório, resultado de uma fiscalização sobre o contrato firmado entre a Prefeitura Municipal e o Instituto de Desenvolvimento Humano (IDH), aponta para possíveis fraudes contábeis, superfaturamento, favorecimento de grupos privados, uso indevido de dinheiro público e direcionamento de licitação, entre os anos de 2021 e 2024.

Segundo o tribunal de contas, em decorrências do superfaturamento identificado, um montante de aproximadamente 2,5 milhões foram pagos pela prefeitura de forma irregular.

Segundo o relatório, o IDH foi contratado para prestar apoio aos serviços de saúde pública do município. No papel, tratava-se de uma parceria legítima; na prática, o que se viu foi um arranjo para encobrir terceirização de mão de obra, em descumprimento à Constituição e à Lei de Responsabilidade Fiscal.

A Prefeitura de Jatobá repassou ao IDH mais de R$ 15,5 milhões em três anos;

Desse total, quase R$ 3,1 milhões (19,58%) foram classificados como “custos indiretos”, percentual muito acima do praticado legalmente em contratos públicos, que gira em torno de 3% a 5%;

Os valores foram transferidos a empresas ligadas entre si por vínculos societários, familiares e contábeis — o que configura, segundo os auditores, distribuição disfarçada de lucros, prática proibida a organizações sem fins lucrativos.

Direcionamento e montagem de processo licitatório

Outro ponto gravíssimo identificado pelo TCE-PE foi a suspeita de montagem e direcionamento no chamamento público que resultou na contratação do IDH.

O relatório mostra que:

Editais e anexos usados no processo de seleção foram copiados de modelos fornecidos pelo próprio IDH;

A comissão avaliadora atribuiu pontuação máxima ao instituto (100 pontos) em todas as etapas, sem justificativas robustas;

Em diversos municípios — inclusive Jatobá — o IDH foi o único interessado na seleção, o que reforça a hipótese de que o certame foi montado sob medida para a organização;

Em junho deste ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação Velatus, que executou 16 mandatos de busca e apreensão e aplicou medidas cautelares contra 10 pessoas físicas e 6 empresas ligadas à IDH e envolvidas em supostos contratos fraudulentos com diversas prefeituras pernambucanas, incluindo a de Jatobá.

Em suma, o que se observa é um modelo de contratação aparentemente “legal”, mas que teria sido construído para dar aparência de regularidade a uma escolha previamente definida. Para o TCE, essa prática viola os princípios da impessoalidade, moralidade e isonomia que regem a administração pública.

🧾 Um modus operandi replicado em vários municípios

As irregularidades observadas em Jatobá seguem o mesmo modus operandi identificado em auditorias realizadas em diversos municípios pernambucanos que também contrataram o IDH:

O município firma Termo de Colaboração com o IDH para prestação de serviços na saúde;

O IDH utiliza a estrutura pública (unidades, equipamentos e insumos), atuando como mero fornecedor de pessoal;

Os valores recebidos são repassados a empresas “parceiras” sob o pretexto de pagar “custos indiretos” — com valores padronizados, sem variação ou comprovação da efetiva prestação dos serviços;

As empresas são de um mesmo grupo econômico, com forte ligação entre seus sócios — e com histórico de participação em contratos semelhantes em diversos municípios;

⚖️ TCE recomenda envio ao Ministério Público

Diante da gravidade das evidências, o Tribunal de Contas recomenda o encaminhamento imediato dos autos ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), para que as condutas sejam apuradas também nas esferas civil, criminal e de improbidade administrativa.

A sugestão expressa parte do entendimento de que as irregularidades detectadas podem configurar crimes contra a administração pública, fraudes em licitação, falsidade ideológica, enriquecimento ilícito e danos ao erário.

Consulte aqui o relatório completo da auditoria do TCE-PE:

Link com o relatório completo:

EAUD_RelatorioAuditoria_19579 (1)

 

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