E a gasolina? Entenda porque o governo só está preocupado com o preço do diesel

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Há mais de duas semanas, o governo federal tenta, sem muito sucesso, manter sob controle os preços do diesel no país. Mas a imensa maioria dos motoristas brasileiros certamente já percebeu que o preço da gasolina, outro combustível derivado do petróleo, também está subindo. Por que, então ainda não se convocaram coletivas para anunciar medidas que evitem a escalada no valor pago para abastecer os veículos de passeio? A resposta para esta pergunta está no modelo de transporte e na estrutura de produção do país.

Ao priorizar os preços do diesel, em detrimento da gasolina, o que o poder público quer é evitar um impacto na logística nacional, altamente dependente dos caminhões, e no transporte público. Aumentos no diesel também impactam negativamente o custo de vida, uma vez que o valor dos fretes é repassado para os produtos. Outro impacto importante se dá na atividade produtiva, com destaque para o agronegócio, com seus tratores e outras máquinas. Por fim, mas não menos importante, a alta do diesel traz de volta o risco de uma greve de caminhoneiros, que, desde 2018, quando o país parou por dez dias, tornou-se um dos grandes pesadelos de qualquer um que despache no Palácio do Planalto.

Existe ainda um componente de natureza macroeconômica que pode explicar a maior inação por parte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao preço da gasolina. O Brasil, apesar de autossuficiente em petróleo, precisa importar derivados do produto por não ter em território nacional capacidade de refino para toda a sua produção. No caso do diesel, a dependência externa beira os 25%, enquanto apenas 5% da gasolina, em média, vem do exterior.

É este o contexto que explica nenhuma iniciativa, pelo menos até aqui, em relação à alta da gasolina no país. O entendimento, ainda que não seja dito explicitamente, é que o aumento do combustível usado na imensa maioria dos veículos de passeio é um problema de natureza individual, enquanto o que serve para movimentar a produção nacional impacta o país inteiro.

Os preços dos combustíveis registraram alta pela terceira semana consecutiva. De acordo com levantamento semanal da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), gasolina e diesel tiveram aumento nos postos de combustíveis em todo o país.

Com informações do Correio da Bahia // Preços dos combustíveis seguem em alta pela terceira semana consecutiva Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

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