Defensora pública diz que a sociedade precisa permitir à reintegração do ex-detento

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Não é preciso um grande estudo para concluir, analisando os dados do sistema prisional do Brasil, que o Estado não tem controle do que acontece dentro dos presídios e que eles estão muito distantes de cumprir a função de  ‘reeducar’ sua população.

Detendo do regime semiaberto trabalhando na horta do projeto Recanto Solidário, da diocese de Paulo Afonso.

 

É uma realidade que, infelizmente, se aplica ao complexo regional de Paulo Afonso, com um fato agravante, apontado pela defensora pública Ana Valéria Brasil:  no município, exceto pelo projeto Recanto Solidário, da diocese de Paulo Afonso, iniciado este ano, não há outra iniciativa que encaminhe o ex-detento para se reintegrar socialmente.

“Há um número muito alto de dependentes químicos, pessoas que ingressam do sistema prisional por pequenos roubos, tráficos, justamente para alimentar o seu próprio vício e o presídio é um reflexo de toda sociedade: se está cheio, significa que o sistema está doente. Então é um número grande de jovens desempregados, ausência de cursos profissionalizantes e falta de lazer na cidade. A criminalidade acaba sendo um atrativo”, explicou a defensora.

Valéria apresentou os números da população carcerária do complexo de Paulo Afonso, no último dia 2o de julho, quando participou de um seminário realizado pelo Recanto Solidário, no Memorial Chesf:

“Na última listagem tivemos 686 presos, desses praticamente meio a meio entre provisórios e definitivos, ou seja, uma população carcerária muito grande que não é apenas de Paulo Afonso, abrange toda esta região do Sertão: Chorrochó, Cícero Dantas, Tucano, Jeremoabo e por aí vai, são cidades que não possuem Defensoria Pública, salve Euclides da Cunha; então o cárcere que já gera estigmatização, acentua-se quando o preso fica muito tempo afastado da sociedade” analisou.

Segue a entrevista com Ana Valéria Brasil:

Seminário promovido pelo Recanto Solidário no Memorial Chesf em Paulo Afonso.

 

A sociedade parece não entender a necessidade de ressocializar o preso.

O problema, na minha opinião, não é a ressocialização,  mas a integração social que não acontece mesmo antes de ele entrar no cárcere. Hoje a nossa população carcerária é majoritariamente formada por pessoas negras,  analfabetas e menores de 29 anos, uma realidade nacional que se reproduz em Paulo Afonso.

Quando a reeducação?

A reincidência aqui passa de 75%, porque o preso sai do sistema prisional sem está preparado para ingressar na sociedade, a maioria entra e sai do presídio analfabeto sem aprender uma profissão.

Mas há projetos profissionalizantes do presídio.

Tem a horta interna, uma fábrica de confecções e agora o Recanto Solidário. Nós iniciamos um projeto no início deste ano, dando oportunidade a presos do regime semiaberto para que eles aprendessem agricultura orgânica entre outras profissões. Em agosto vamos iniciar o curso de eletrônica e vamos ampliar as vagas. Antes eram quatro e agora serão dez.

Qual é realidade desse preso quando ele sai?

Em regra, quando o preso sai da cadeia não tem para onde voltar, são famílias desestruturadas, e uma vez na rua quem os abraça é novamente a criminalidade.

Qual preso pode participar do projeto Recanto Solidário?

Tem que ter um perfil não violento e estar no semiaberto. É preciso que a sociedade, em especial os empresários, se conscientizem da necessidade dessa mão de obra. No presídio tem uma fábrica de confecções grande, de uma marca nacional que produz roupas de um preço mais elevado e são de boa qualidade, vendidas depois em todo o país; então são pessoas que saem como costureiras, sabem modelar, cortar moldes e conserto de máquinas entre outras habilidades.

Em relação à população feminina?

“Hoje ela é composta de 28 pessoas. Um número pequeno que se justifica pelas decisões no judiciário que tendem a flexibilizar a prisão domiciliar para presas e reduziu esse número que se comparado ao restante do Brasil é discrepante.”

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