INCA prevê 220 mil casos de câncer de pele em 2025; Bahia tem 10 mil por ano

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Por Hieros Vasconcelos

Salvador, 22 de setembro de 2025 – O câncer de pele é o tipo de tumor mais comum no Brasil, responsável por cerca de três em cada dez casos oncológicos. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), somente em 2025 devem ser registrados mais de 220 mil novos casos de câncer de pele não melanoma e quase 9 mil de melanoma, a forma mais agressiva da doença. No mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são 1,2 milhão de novos casos de câncer de pele não melanoma e 331 mil de melanoma a cada ano.

O tema voltou ao noticiário após o ex-presidente Jair Bolsonaro ter sido diagnosticado com carcinoma de células escamosas in situ, um tipo inicial da doença identificado em duas das oito lesões removidas em procedimento realizado neste mês. Embora seja um caso de bom prognóstico, a notícia reforçou o alerta para a necessidade de prevenção e de diagnóstico precoce.

Na Bahia, a preocupação ganha contornos ainda mais evidentes. Estudo divulgado em pelo Hospital Santa Izabel, em parceria com o grupo Oncoclínicas, mostrou que o estado registra mais de 10 mil casos de câncer de pele por ano, com uma estimativa de 10.530 diagnósticos anuais. O número coloca a Bahia como uma das unidades da federação com maior incidência proporcional da doença.  A pesquisa foi realizada ano passado, mas especialistas ressaltam que ainda reflete a realidade. “Mesmo em regiões onde a população tem maior diversidade de tons de pele, como no Nordeste, o risco de desenvolvimento da doença é expressivo quando há exposição solar intensa e prolongada sem proteção”, afirmou oestudo.

De acordo com o cirurgião oncológico Rodrigo Nascimento Pinheiro, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), “a exposição excessiva ao sol, especialmente entre 10h e 16h, é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele. A maioria dos casos ocorre em pessoas sem história familiar, mas cerca de 10% estão ligados a mutações genéticas hereditárias, como no melanoma familial. Outros fatores de risco são a pele clara com muitas sardas, o uso de câmaras de bronzeamento, a ausência de protetor solar e a idade avançada, embora a incidência venha crescendo também entre jovens”.

A SBCO explica que existem dois grandes grupos de câncer de pele: o não melanoma, mais frequente e menos agressivo, e o melanoma, menos incidente, mas mais letal devido ao alto potencial de metástase. O carcinoma basocelular representa cerca de 80% dos casos não melanoma e se origina nas camadas mais profundas da pele. Já o carcinoma espinocelular responde pela maior parte dos tumores restantes, surgindo na camada superficial da epiderme, sobretudo em áreas expostas ao sol, como rosto, orelhas, lábios e mãos.

O melanoma, por sua vez, se desenvolve a partir dos melanócitos, células responsáveis pela pigmentação da pele. Pode afetar qualquer parte do corpo e, apesar da menor incidência, apresenta risco elevado de disseminação para outros órgãos. “Embora menos frequente, o melanoma é proporcionalmente o tipo que mais causa mortes. Se detectado precocemente, tem índice de cura superior a 90%, mas quando avança torna-se difícil de tratar e altamente agressivo”, explica Pinheiro.

Uso diário de protetor com fator 30 é recomendado por especialistas

Com a chegada da primavera e dias mais longos de sol intenso, os especialistas reforçam a importância dos cuidados preventivos. O uso de protetor solar diariamente, com fator de proteção (FPS) a partir de 30, reaplicado ao longo do dia, é considerado essencial. Além disso, recomenda-se a adoção de barreiras físicas, como roupas de mangas compridas, chapéus de aba larga e óculos escuros, bem como a redução da exposição direta nos horários de maior radiação ultravioleta.

Outra medida de impacto é o autoexame regular. Observar pintas, manchas ou sinais que mudam de formato, cor, tamanho ou espessura pode antecipar o diagnóstico. A SBCO utiliza a chamada “regra do ABCDE”, em que assimetria, bordas irregulares, variação de cor, diâmetro acima de 6 milímetros e evolução rápida são sinais de alerta que devem levar o paciente ao consultório médico.

O diagnóstico precoce, segundo a entidade, aumenta significativamente as chances de cura. “A cirurgia é, na maioria dos casos, suficiente para remover a lesão e garantir o tratamento definitivo. A grande diferença está no tempo em que o paciente demora a procurar atendimento. Quanto antes se descobre a lesão, maiores são as chances de cura e menores os riscos de mutilações”, reforça o presidente da SBCO.

Na avaliação dos especialistas, o crescimento dos casos em estados como a Bahia demonstra que o câncer de pele não pode ser visto como problema apenas de regiões Sul e Sudeste, onde predominam pessoas de pele mais clara. O alerta vale para toda a população, independentemente da cor da pele ou idade.

Com informações do Tribuna da Bahia

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